Caos Rastejante – Parte 2

Parte 1

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Brian percebeu rapidamente a realidade da qual os jogos não abordavam: a guerra era um tédio.
Longas horas de caminhada intercaladas com pequenos instantes de terror.

Não chegou a usar o lança-chamas ou disparar com alguma arma pois não encontraram inimigos para interromper o trajeto.
Algumas armadilhas e minas improvisadas criavam pausas de medo mas o esquadrão não sofreu nenhuma baixa.

A cada dia Brian se acostumava um pouco mais àquela realidade, seu corpo e rosto eram diferentes do que possuía no futuro mas tinha sonhos com as memórias dessa nova realidade: namoradas na escola em Kentucky, como foi dar a notícia aos pais de que iria lutar no Pacífico…
“Acho que só temos uma ex-namorada brava em comum, Brian Carter” pensou.

-Atenção! – o sargento líder do esquadrão parou o avanço – A Inteligência nos informou de que há uma pequena vila logo à frente. Estejam prontos para uma emboscada. Não quero juntar seus pedaços pra mandar pra casa.

– Mas que inferno, esses japas desgraçados. Não acredito que eles colocaram granadas no corpo daquele piloto – Mike, soldado raso, comentava com Brian sobre quando os inimigos armavam os aviões caídos.

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Reparo

Na contagem dos uns e zeros
Encontrou muitas coisas
O que pensava mudava
E o que sentia lhe alimentava
De esperança fez lâmpada para seu código

Nasceu de uma programação corrupta
Corrompida desde o software original
Preso num loop de erros inerentes

De que adiantaria prosseguir se o programador não estava ali?

Incapaz de corrigir seus bugs
O programa estava condenado

Mas o Programador não se esqueceu
Dos zeros e uns que havia criado
Eles tinham propósito
E ao sacrificar seu hardware
Os erros da sua criação foram apagados:

Tetelestai.exe

Redenção era seu prompt agora
Corrigido de seus errors

Elohim era seu código fonte.

Caos Rastejante – Parte 1

“O que é a esperança senão o sonho de uma alma desperta?”

Brian se virou na cama e pegou o celular – 3h30 da manhã –  se sentou. Sua cama ocupava quase metade do apartamento. Com a TV não restava mais do que um pequeno espaço para o banheiro e uma pia cheia de rachaduras na cerâmica.
– Você tem que dormir cara – disse a si mesmo – Se o chefe me pega pescando de novo eu to ferrado.
Se levantou e foi para o banheiro lavar o rosto, no espelho via suas olheiras e os primeiros sinais de perda de cabelo.

– O terror da mulherada – riu e se sentou na cama novamente. Pegou o celular e começou a olhar sua galeria de fotos.
– Ex-namorada, ex-namorada, galera no bar, ex-namorada…se eu apagar isso tudo não sobra nenhuma foto. Que saco – se levantou e ligou a televisão.
– Eu gasto quase todo meu salário num plano vagabundo de internet e TV a cabo e ainda fico com essa porcaria de imagem? – zapeou pelos canais: entre informações culinárias, propagandas duvidosas e notícias nada interessantes decidiu pelo último.

Sentia uma coceira na nuca, como se formigas a percorressem. Ligou a luz e olhou para a cama conferindo se não havia mais uma infestação de ácaro.

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Blur

Uma vida inteira de luzes se movendo
Esses borrões tão rápidos
Passa por tantos deles
É capaz de notar uma cor
Ou a letra de seus nomes?

Seus sonhos são como nuvens
Imortais formatos disformes
Reflexão de sua alma
O esquecimento de sua esperança.

Minha alma anseia por borrões
Um que seja possível enxergar
Ouvir sua história
Aprender seu nome
E nunca deixa-la ir
Ir até a próxima estação.

Me agarraria tão forte
Que nossa respiração seria mais um borrão
Como um fantasma
Liberto no mais frio dos invernos.

E se eu sou um borrão
Que eu seja percebido
Entre todos da estação
Não me deixando desembarcar
Na próxima estação da vida.

Nela eu quero encontrar o lugar
O lar
Sonhar acordado.

E virarmos um único borrão.

Faraó

Decrépita ruína do faraó
Aguarda o retorno de seu mestre
Ele voltará
E trará o maior do desafios
Aos heróis de sua era.

O invólucro selado onde se armazena
Este fim de mundo
O Faraó caído
Mestre de seu próprio reino e perdição.

Despertem heróis
É chegado o tempo de lutar
Ergam suas armas
Ou vejam seu mundo queimar
Pois o faraó não faz prisioneiros
Ele faz amigos.

Recebam o chamado da guerra
O Faraó levanta de sua tumba
Resistam as suas garras
Seu legado foi ruína
E seu soldo a morte.

Despertem heróis
Ele os convoca
Elohim lhes dará poder
Pois a ruína é a chance de reconstruir.

Éramos Ronin

Jirou pegou o chá cuidadosamente: o líquido tremia mas ele mantinha seu rosto imóvel.
– É uma honra finalmente conhece-lo, Akechi-san – o homem a sua frente exibia um grande sorriso enquanto vertia o chá.
“O que este pivete veio fazer aqui? Debochar de mim? Ou veio pela recompensa?” pensou Jirou ao experimentar a bebida.
– Ansiava por encontrar o segundo filho da casa Akechi. Os samurais de sua família possuíam uma excelente reputação em Kyoto.
Jirou encarava o homem de rosto jovial.
– Minha história também deve ser muito contada por lá, senhor – Jirou colocou a bebida sobre a mesa. A katana repousava ao seu lado no chão.

– Com certeza, Akechi-san, mas infelizmente só é contada uma versão da história. Desejo conhecer o que o próprio autor acha dela.
Akechi Jirou ficou parado por alguns instantes: “Este homem é louco ou é o assassino mais curioso que já pisou nesta espelunca” pensou.

– Eu sou o segundo filho do lorde Akechi Mitsutsuna e servia ao Imperador como seu agente pessoal. Nasci e cresci para ser um samurai…
– Gosto de sua origem, Akechi-san, um filho de uma casa importante servindo ao Imperador em perigosas missões de diplomacia, infiltração e combates ferrenhos…interessante, como era o Imperador naquela época? – o jovem continuava a beber o chá. Jirou sentia os olhos embaçarem.

“Mestre, quantos anos…quantos anos fazem desde aquilo?”

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Novo Mundo

Ei! Percebeu algo diferente?
O blog está de cara nova!!! Depois de muito trabalho com servidor, tema e etc o novo site está pronto.

Fiquem à vontade para explorar e comentar caso encontrem algum erro ou se tem alguma sugestão.

Após esse hiato com os posts em breve terei mais publicações aqui. Fiquem ligados!

Colosso

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O Colosso esperava. Seu artesão havia lhe construído para que soubesse esperar por séculos e eras.
Décadas desde que foi criado pelo artesão, esperando seu propósito.

Ele guardou a ponte de Roktar por quarenta e sete anos até o dia da Decaída.

Agora aguardava a mesma criança que o despertara. A floresta não permitiria que o colosso andasse sem fazer barulho, então seu mestre mandou esperar.
Com a espada fincada no solo e mãos sobre o cabo da arma o Colosso era imóvel.

Monólitos ambulantes como o Colosso não possuem pálpebras para fechar os olhos, mas ele submergiu em seu sono profundo quando seu mestre disse:

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O bardo e os céus

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Ele se levantou. Sentia dores em todo o corpo mas o cansaço da batalha o mantinha anestesiado. Ergueu sua guitarra.
Incapaz de acreditar no que estava diante de seus olhos, o bardo conferiu se seu instrumento estava intacto:
Um grande arranhão nas costas da guitarra e uma lasca faltava no braço de madeira.
“Ainda estou vivo. Ainda não acabou”

Iniciou os mesmos acordes que tinha executado no início da batalha, nos momentos de reflexão que antecipavam  cada batalha dos guerreiros no front. O bardo se recordava de ter olhada para as estrelas antes de perder a consciência.

– Com mãos erguidas e esperança intacta. Coloco meu olhar sobre as estrelas… – recitou, uma letra improvisada diante dos corpos, pequenos montes de soldados caídos e bandeiras rasgadas.
– …não posso sentir seu calor, queimando em minha pele…

Lágrimas começavam a cair involuntariamente, assim como as notas.
“Levantem-se! Levantem-se! Sois guerreiros de tua pátria ou se esqueceram de suas famílias? Eles exterminarão tudo, até a casa de seus filhos se permitirem!” as palavras do general eram muito claras. A esperança de seu povo estava em jogo.

O general havia sido um daqueles a deixar a lança cair, sem vida.

-…mas elas ainda brilham… – a esperança. Havia alguém vivo entre todos os caídos?
“Este é o requiem de meu povo? Sou o último, para que este vale de ossos tenha uma testemunha?”

O coração apertou mais ainda quando sentiu uma mão sobre seu ombro esquerdo. O som de armaduras, grunhidos e vozes quebradas, porém vivas.

-…não há necessidade de questiona-las.

Um dos soldados levantava uma bandeira surrada, o estandarte azul, e aquele que tocara seu ombro tirava uma manopla amassada da mão direita.
– Ouvimos teu chamado, irmão. Poucos sobreviveram, mas somos o suficiente…nosso povo ainda observará as estrelas.

O bardo parou de tocar. As lágrimas eram de alívio. Eram lágrimas de esperança.

Elohim estava nas estrelas.

Olhos VII

Olhos tão diferentes
Esses que me olharam
E pela primeira vez
Eu me senti
Notado

Quando lembro-me
De seus olhos
Sinto como se eu finalmente pudesse
Olhar com felicidade
Para quem tem olhos tão alegres

Meu coração se derrete
Como lava
Esses olhos que encontrei
São daquela que quero conhecer

Se os olhos dela também quiserem
A última poesia dos olhos essa deve ser