Torrente de notas

  Os alto-falantes estavam apontados para o céu estrelado. Acordes se desfaziam e refaziam no silêncio harmonioso dos dedos que deslizavam delicadamente com densidade.
Dedos deslizantes e delicados dós que a densidade dava.
A música vinha naturalmente e a letra era nova a cada novo refrão

“I will stand tall when the winter gets to us
If you stay with me”

Cantava um amor invisível, mas sentia como se estivesse ao seu lado.
O vento gelado dava a letra mais sentido.

“I took a picture
A window of my dream”

Tentar recordar a canção seria inútil. Era a canção que viveria somente naquela noite.

“A whisper of a fear
We dance with wrong chords
We dance to wrong songs
We dance with wrong chords”

O peso das palavras caia como os trovões que ressoavam. Ressoavam, relampejavam, religavam, restauravam a luz.  Até aquele momento todas as canções estavam erradas.                                                                                                                           Agora ele conhecia o amor, que não era mais paixão, mas algo muito maior.

“See me through
Tore down all my walls
Bring out my lion
And rip out, rip out my eyes”

O vento ergueu o coração que pedia por quebrantamento. Não haviam mais barreiras. Não havia conhecimento ou sentimento que fossem capazes de segurar a música. O acorde acordou o canto dos corações ao redor. As cidades acordavam com o som do teclado reverberante.

“Rip it out and leave it all behind
Rip it out, with you it makes the same
Get out”

O cantor retirava de seu coração todas as coisas que não lhe permitiam amar. Saia som sem sopro. Morra morte amendrotadora.

“I will stand tall when the winter gets to us
If you stay with me”

O cantor terminava a canção, mas sabia que o destinatário havia aprovado quando a chuva recebeu seu rosto.
Naquela noite o amor veio em forma de canção e chuva.

Leave a Reply