Inverno Outonal

Inverno Outonal.

Torrente de folhas.
Noite de estrelas.
Dia sem sal. Mas tem sol.

A música ecoa nos ventos.
Onde está?
Os meses se passam como folhas.
Fim dos tempos ou ainda é metade?

O gaitista viu a torrente de folhas daquele inverno com cara de outono.
Tentou tocar junto com o tempo mas sabia que era diferente.
O cronos tinha seu propósito.
Enquanto a gaita tinha outro.

O outono já se foi mas as folhas continuam caindo.
Logo logo a árvore estará seca.
Mas me alegro mesmo assim.

É no inverno que reconheço como Tu podes renovar o coração.
E na primavera poderei cantar restauração.
Elohim.

————————

Não costumo comentar sobre as poesias que faço por dois motivos:
Primeiro porque geralmente eu não faço boa poesia, não é meu forte.
Segundo porque essas poesias geralmente surgem de momentos únicos de emoção. São espontâneos (anoto versos no celular no caminho para o trabalho ou para casa). Por isso é muito difícil até lembrar do porquê eu ter feito certa poesia.
Mas a frase “torrente de folhas” ecoa a minha mente há pelo menos um ano. Por quê?
O ponto do ônibus que pego para ir trabalhar ou para a faculdade fica numa avenida movimentada do meu bairro. Dividindo os dois sentidos dela existe uma fileira de árvores.

A visão das árvores sempre acompanhou meus devaneios pseudo-sonâmbulos e orações matinais (que geralmente envolvem “como estou atrasado. O ônibus poderia chegar agora…”). A época em que elas mais me chamam a atenção é nesse período de outono-inverno que é quando elas perdem as folhas.

Ver as folhas voando e flutuando no vento como se fossem gotas d’água me deixam mesmerizado. Essa beleza me faz lembrar da criação de Deus e de como Ele pode literalmente estar em qualquer lugar.

E o que mais me intriga nessa constatação toda é de que eu provavelmente sou o único que admira essa beleza naquela avenida.
Uma beleza escondida no mais comum dos eventos.

E as folhas sempre crescem novamente. Há tempo para tudo afinal…

P29-05-13_12.11[1]

1 Comment for “Inverno Outonal”

Leave a Reply