O Caso da Tormenta – Dia 0

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– Ei! Esse caso aqui é da Homicídios! – a investigadora protestou quando cheguei na cena do crime.

Uma bagunça: a sala parecia ter sido atingida por um furacão. Móveis jogados, lâmpadas quebradas, vidro espalhado por todo lado.

Era o corpo da Capitã Tormenta que estava no centro dessa sala.

– É meu caso agora, Bailey – respondi a ela. Costumávamos nos encontrar sempre nesses momentos: tudo o que é relacionado aos Supers é minha jurisdição.
Ela e o resto da polícia não gostavam muito disso.

Bailey bufou mas prontamente me contou o que ela sabia até o momento.

– Lara Winter, super-heroína registrada, Capitã Tormenta.

Lembrava-me de ver ela nos jornais. Acho que ela tinha sido capa de revista no mês passado.
Era promissora, fazia parte de uma nova geração de heróis registrados.

Esse vai ser um golpe duro para a comunidade dos Supers.

– Marcas de agressão…claramente houve uma briga aqui – Bailey olhou ao redor mais uma vez. A Capitã havia usado os poderes – Mas não há sinais de invasão.

– Causa da morte?

– Pelas marcas no pescoço. Estrangulamento.

Absorvia os detalhes enquanto andava pela sala. Parei quando vi uma foto jogada no chão. Peguei e observei.
Era ela e um cara ruivo. Devo ter visto ele nos jornais também, mas não era um Super.

– É o ex-namorado dela. Eles romperam faz uma semana – Bailey me informou.
– Como sabe disso tudo?
– Ah, foi uma notícia muito comentada no mundo das celebridades. Parece que ele não aguentava mais essa vida de heroína dela – Bailey deu de ombros. A memória dela era algo memorável.

Nós dois já fomos colegas na academia de polícia, na época que os Supers eram uma grande novidade.
Já chegamos até a sair por um tempo, ficamos bêbados uma vez e…bem, ela foi a primeira a quem eu contei sobre meu poder. Era impossível esconder meu poder quando fiquei bêbado.

Se o destino tivesse sido diferente conosco, não sei como as coisas seriam.

– Um ex-namorado que conhece o mundo dos super-heróis. Acha que ele pode estar envolvido nisso? – perguntei.
– Só alguém muito rápido ou muito forte passaria pelo tornado que são os poderes dela. Mas pelo visto foi alguém que ela confiava o bastante para abrir a porta e deixar entrar.

“Ou um teleportador” pensei. Mas falar de teleportadores é um tabu para o pessoal da Homicídios.

– Obrigado, Bailey. Assumo a partir daqui.

Senti o cheiro doce do perfume dela desaparecer aos poucos enquanto ela saia da cena do crime.

Meu trabalho só começara.

__________

“A nação e a comunidade de Supers acordou enlutada hoje. Lara Winter, mais conhecida como a super-heroína Capitã Tormenta, foi encontrada morta em seu apartamento nessa madrugada. A divisão de casos Supers já está liderando as investigações…”

A televisão do bar estava com volume mais alto que o normal. Todos prestavam atenção na notícia chocante.
Seria este um crime de ódio ao Supers? Ou algo mais pessoal? Todos nós, Supers, ficamos apreensivos com esse tipo de notícia.

“Se até mesmo uma figura tão amada e respeitada teve um fim desses…e nós que vivemos nas sombras?”

Sentado no banquinho, apoiei meu copo de café na bancada. Precisava da cafeína pro ritmo acelerado que seria este caso.
Tinha algumas opções imediatas:

Falar com algum velho contato na comunidade dos Supers. Talvez devesse falar com os heróis registrados, ver que tipo de inimigos ela tinha, quais foram os últimos atos heroicos dela. Ou poderia falar com a o pessoal da Homicídios…o que sempre me levava pra Bailey.

O celular vibrou e eu atendi.

– Olá Chefe – disse antes que ele iniciasse sua verborragia rotineira.
– PETER! Cadê você? Tem noção de como o telefone tá tocando agora? Tem a droga de um batalhão de jornalistas na porta da delegacia. ME DIGA O QUE RAIOS ESTÁ FAZENDO AGORA PRA NÃO TER VINDO AINDA?
– São seis da manhã, che… – não consegui terminar a frase.
– VENHA AGORA! – e desligou na minha cara.

Não tinha escolha, minha primeira parada era na delegacia.

– Ei, Invisível! Vai resolver esse caso? – alguém gritou pra mim quando comecei a andar para a saída.
– Num piscar de olhos – respondi, usando um velho bordão.

Prontamente a luz ao meu redor mudou, meu corpo passando a assumir as cores do que havia atrás de mim. Sentia-me como se adentrasse na água, o mundo mudava de cor e os sons eram semelhantes a de ventania.

Eu estava completamente invisível.

Todos no bar, a maioria Supers, gritaram e batiam nas mesas, empolgados.
Essas pessoas precisavam de um show que um super-herói comum não podia fazer.

Sou o Homem Invisível, não sou um herói, somente um detetive.

____________

Me tornei visível dentro do escritório do chefe.
– Olá chefe – disse, antes que me tornasse completamente visível aos olhos humanos.
– Está atrasado – o chefe se assustava no começo, mas ele se acostumou a essas entradas – Pelo visto passou pelos repórteres despercebido.
– Me senti tentando a responder perguntas. Mas me segurei.

Mais alguém abriu a porta da sala do chefe.
– Chefe, me chamou? – era Jonah, mais conhecido como Impacto.
– Sim, chamei os dois pra esse caso – o chefe remexia dezenas de papéis, sua mesa era um pequeno caos organizado.
– Olá Peter – Jonah ajeitou o chapéu para me cumprimentar. Debaixo da jaqueta de couro eu sabia que estava o uniforme de herói dele.

Impacto era um heroi registrado, mas foi afastado após um incidente que levou a morte de muitos bandidos e vilões.
Muitos de nós que incorporávamos essa divisão da polícia possuíam histórias parecidas.

– Olá Jonah – respondi o cumprimento.

– Recebi uma série de denúncias hoje de manhã. Me avisaram que o Balthier fugiu da prisão e parece que está escondido em algum lugar no Canto Escuro.

“Balthier!? No Canto Escuro? Isso significa que ele está realmente na cidade…” pensei na hora.

– Acha que foi ele, chefe? – Impacto perguntou, já anotando algo em sua caderneta.
– Se foi ou não, eu não sei. Mas a mídia não vai deixar de me encher enquanto não prendermos ele. Impacto, você vai atrás dele.

Jonah bufou. Balthier era um infame teleportador, responsável pela má fama daqueles que possuíam esse tipo de poder.

– Peter, vá até o subúrbio e veja com os seus contatos se há algum telecinético novo na área. Catalogue aqueles que não temos registros ainda.
– É um tiro muito longo, chefe – respondi, já imaginando a dor de cabeça que essa tarefa me proporcionaria.
– Prefere segurar o batalhão lá fora, Invisível? Saiam daqui!

Saímos os dois da sala.

– A telecinese se tornou um poder raro. Não vai levar mais que um dia pra descobrir se mais alguém apareceu na cidade – Jonah me disse enquanto andávamos até a saída.
– Tente não quebrar tudo no Canto Escuro. Nem mate Balthier, senão o Charque…
– Eu sei, eu sei. O Charque quer matar o cara ele mesmo. Espero que o chefe segure ele dessa vez. Boa sorte, Invisível.
– Boa sorte, Impacto.

O ar ao redor dele mudou, rodopiando feito um vendaval. No instante seguinte, Impacto estava no ar, em velocidade supersônica.

“Esses voadores são sempre exibidos” fiquei invisível e segui a pé pela rua.

Seriam dias muito atribulados para voar.

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