O bardo e os céus

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Ele se levantou. Sentia dores em todo o corpo mas o cansaço da batalha o mantinha anestesiado. Ergueu sua guitarra.
Incapaz de acreditar no que estava diante de seus olhos, o bardo conferiu se seu instrumento estava intacto:
Um grande arranhão nas costas da guitarra e uma lasca faltava no braço de madeira.
“Ainda estou vivo. Ainda não acabou”

Iniciou os mesmos acordes que tinha executado no início da batalha, nos momentos de reflexão que antecipavam  cada batalha dos guerreiros no front. O bardo se recordava de ter olhada para as estrelas antes de perder a consciência.

– Com mãos erguidas e esperança intacta. Coloco meu olhar sobre as estrelas… – recitou, uma letra improvisada diante dos corpos, pequenos montes de soldados caídos e bandeiras rasgadas.
– …não posso sentir seu calor, queimando em minha pele…

Lágrimas começavam a cair involuntariamente, assim como as notas.
“Levantem-se! Levantem-se! Sois guerreiros de tua pátria ou se esqueceram de suas famílias? Eles exterminarão tudo, até a casa de seus filhos se permitirem!” as palavras do general eram muito claras. A esperança de seu povo estava em jogo.

O general havia sido um daqueles a deixar a lança cair, sem vida.

-…mas elas ainda brilham… – a esperança. Havia alguém vivo entre todos os caídos?
“Este é o requiem de meu povo? Sou o último, para que este vale de ossos tenha uma testemunha?”

O coração apertou mais ainda quando sentiu uma mão sobre seu ombro esquerdo. O som de armaduras, grunhidos e vozes quebradas, porém vivas.

-…não há necessidade de questiona-las.

Um dos soldados levantava uma bandeira surrada, o estandarte azul, e aquele que tocara seu ombro tirava uma manopla amassada da mão direita.
– Ouvimos teu chamado, irmão. Poucos sobreviveram, mas somos o suficiente…nosso povo ainda observará as estrelas.

O bardo parou de tocar. As lágrimas eram de alívio. Eram lágrimas de esperança.

Elohim estava nas estrelas.

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